Desde 2010, quando o Qatar foi escolhido pela FIFA para ser a sede da Copa do Mundo de 2022, o país começou a se preparar para o evento. O Qatar será o primeiro país do Oriente Médio a sediar a maior festa do futebol mundial. Está previsto um gasto de duzentos e vinte   bilhões de dólares com infraestrutura para o evento, este dinheiro viria de uma parceria pública privada, igualzinha foi feito no Brasil (sqn).

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Esse é um dos estádios que serão construídos, reparem no formato exótico da construção.

Nem todo mundo foi a favor desta escolha, principalmente pelas altas temperaturas de julho e pela falta de legislação reguladora das condições de trabalho, entretanto o país tem se defendido sob o argumento de que tem sido sede de grandes eventos esportivos desde 2006 com a Asia Games, em 2011 com o Pan – Arab Games e Asia Cup, ou seja, eles estão se preparando e garantem estar prontos para qualquer adversidade até lá.

Já esse ano algumas das tecnologias foram testadas como, por exemplo, as Fun Zones, que é o local onde as famílias poderiam se reunir para assistir aos jogos da Copa do Mundo. Esses espaços foram as “cobaias” do sistema de resfriamento, desenvolvido pelo país, que será utilizado dentro dos estádios em 2022.

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Eu não cheguei a testar o espaço, que tinha atividades para crianças, salas de oração, estacionamento para visitantes e uma tela enorme passando o jogo. Quem foi, disse que, embora fresquinho, era impossível respirar devido à alta incidência de fumantes. Sim, neste país ainda existem pessoas que fumam em locais públicos fechados.

Assistimos aos jogos na casa de um amigo libanês que estava torcendo pela Alemanha. No fatídico 7×1 resolvemos assistir só os brasileiros (ainda bem!) e amigos que torciam pelo Brasil. Depois desse jogo desabafei no facebook e esqueci que era Copa, as pessoas me respeitaram bastante, esperaram a Copa acabar para me zoar.

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Muita gente aqui ficou triste, a camisa que mais vendeu nas lojas foi a do Brasil. Nas ruas, eu via filipinos, indianos e árabes, todos de verde amarelo, isso foi a parte mais legal da Copa, quase me senti em casa.

Agora é esperar mais quatro anos, em 2018 a bola rola de novo e se não for nessa, quem sabe o Brasil vem ser o campeão aqui no Qatar!

Para quem ficou curioso, segue meu desabafo:

ENTRE OUTRAS MIL, ÉS TU BRASIL Ó PÁTRIA AMADA…

Doeu, depois do segundo gol: chorei ( muito!!!). No quarto ou quinto gol, já nem me lembro, estava aos frangalhos, e, ao contrário da maioria no Brasil, eu só pensava que teria que encontrar alemães e simpatizantes da Alemanha no dia seguinte, senti vergonha pela seleção, mas a seleção é tipo um filho, você sente até vergonha do que ele faz mas só você pode falar mal. No intervalo abri o facebook e me deparei com o que os brasileiros fazem de melhor: ver o copo meio cheio. E no meio daquela tristeza surgiram infinitas piadas, motivos pra sorrir, fazemos isso o tempo todo, piada da nossa desgraça. Afinal, podia ser pior! A Volkswagen faz 7,66 Gols a cada seis minutos! (Amei essa!) Feliz é quem sabe sorrir, e fazer sorrir, depois de um rio de lágrimas. Me lembrei que nem todo mundo tem “sorte” ao sediar a copa do mundo, em 2006 a Alemanha, em casa, perdeu na semi final e foi, apática, disputar o terceiro lugar, o que se repetiu em 2010 na Copa da África. Duas copas seguidas sendo eliminado em uma semi final, isso sem contar aquela Copa Korea Japão em que perderam na final, pro Brasil ( é penta! É penta!), os caras tem trabalhado há anos, jogaram melhor, mereceram. A nós, nos resta rir! Comemorar o terceiro lugar ( que é melhor que o segundo já que se consegue com uma vitória) e, com a Itália fora desde a fase de grupos, ainda somos os únicos penta campeões mundiais. É no “jogo do contente” que o brasileiro, apesar de todas as reais mazelas, leva a vida; é no “jogo do contente” que vamos comemorar o terceiro lugar (ou não). Não deixei de ser brasileira, as aves que aqui gorjeiam continuam não gorjeando como lá, amo minha terra, AMO MEU BRASIL, e, é melhor perder de 7 na semi final da Copa do mundo de futebol que está disputando em casa do que ser sempre o vilão nos filmes de Hollywood!

 

Thaís já foi atriz de teatro amador, bailarina torta, advogada e professora universitária. Mora no Qatar e desde que chegou a Doha, depois de 18 horas de viagem, se descobriu desbravadora. Como uma boa capricorniana não se acostumou bem à mudança, entretanto isso não foi obstáculo para que abrisse seu coração para viver uma nova aventura diferente de tudo que já viveu antes. Aos poucos Doha ganhou seu coração a ponto de sentir o desejo pulsante de dividir com o mundo o que este lugar tem a oferecer.

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