Você já foi ao deserto? Falamos muito sobre ele mas poucos tiveram a real oportunidade de ver de perto como é. Eu já fui, e cá entre nós é difícil imaginar como seres humanos conseguiram viver em um ambiente tão inóspito.

É tão vazio, sem esperança, sem começo nem fim. Um monte de nada que dá em lugar nenhum.

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Se eu fosse comparar o deserto a algum momento da minha vida o compararia ao momento do adeus. Completei um ano de expatriada dia 12 de janeiro e já dei adeus mais vezes do que gostaria. Quando vivemos fora nos apegamos demais as pessoas ao nosso redor, as amizades são mais intensas, formamos uma nova família. Mas para a maioria que vem para o Qatar, aqui é só passagem, um degrau para o próximo passo e é ai que complica. Isso sem falar nas visitas ao Brasil. É muito triste partir, é muito triste ver alguém partir.

Voltar ao Brasil foi maravilhoso, porém dizer adeus pela segunda vez aos meus foi terrível! Quando estava no saguão do aeroporto me senti num deserto. Sem chão, sem direção, um aperto no peito que só sente quem vive essa vida de expatriado. O sentimento do adeus é um dos piores que existem, ver o aceno das pessoas que te amam parte a alma em mil pedaços.

Dizem que o deserto ensina, espero eu que o adeus também. Torço, para que cada vez doa menos, e, sempre que doer eu me sinta mais próxima daqueles que me são queridos, aqueles que deixei e aqueles que me deixaram.

Se uma nação pode se erguer no deserto, oro a Deus para que, em cada adeus eu cole as partes de minh’alma e reerga mais firme e mais forte.

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Thaís já foi atriz de teatro amador, bailarina torta, advogada e professora universitária. Mora no Qatar e desde que chegou a Doha, depois de 18 horas de viagem, se descobriu desbravadora. Como uma boa capricorniana não se acostumou bem à mudança, entretanto isso não foi obstáculo para que abrisse seu coração para viver uma nova aventura diferente de tudo que já viveu antes. Aos poucos Doha ganhou seu coração a ponto de sentir o desejo pulsante de dividir com o mundo o que este lugar tem a oferecer.

4 comments on “O deserto do adeus”

  1. Partir só doí para quem construiu bons laços, dizer adeus dilacera a alma de quem ama e eh amado, de quem tem boas lembranças, de quem valoriza o ninho, quem eh inteiro e se entrega.
    Lamento te dizer minha doce menina, sempre vai doer…Mas com o tempo você perceber que sera uma dor de amor não uma dor de tristeza.
    Por isso os laços que formamos fora de casa são tao apertadinhos. <3

    • Mônica obrigada pelas palavras! Te digo que nunca vou desistir dos laços apertados porque esses são os melhores e mais bonitos, pode doer mas vale a pena!Beijo grande!

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