A vida de expatriado é um ciclo vicioso de “olás” e “adeus”. Depois que tomamos coragem para sair da cidade onde nascemos e crescemos, o mundo se torna pequeno. Sempre achamos que o número de pessoas que conhecemos pode ser maior, que a quantidade de lugar que visitamos ainda não é suficiente.

Descobrimos que há vida fora da bolha… e vida boa, surpresa! E, embora você saia da terra que nasceu e viva anos e anos fora dela, aquele pedaço de chão nunca sai de você.

Eu, quando penso no Rio de Janeiro, me lembro do melhor lugar do mundo! Família, amigos, sol, praia, infância, verde, sorriso, gente bonita, cachorro, música, dança, trabalho… é uma saudade tão grande que não tem espaço para as coisas ruins.

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Nessa segunda vez que estou indo ao Brasil de férias me bateu aquela sensação estranha: Estou indo para casa ou estou saindo de casa? Quando estou aqui em Doha quero estar no Rio e quando estou no Rio sinto que minha casa está em Doha. É confuso. O olá e o adeus se misturam numa coisa só na qual não se sabe ou se entende onde é o começo ou fim.

A verdade é que tudo está igual e diferente ao mesmo tempo. Acredito que cada nova pessoa que conhecemos, cada novo lugar em que pisamos tem o poder de nos transformar e, no fim, não é nossa cidade natal que está diferente, nós é que fomos transformados.

Esse negócio de voltar é doído, mexe com a gente, cada dia que passamos de volta na nossa terra idealizada (lembra que a saudade só nos faz pensar nas coisas boas?) lembramos o porquê escolhemos sair de lá.

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Entrar em um avião para o Brasil é embarcar numa viagem de emoções! Mesmo tendo a consciência de que na caixinha das emoções existe a tristeza sinto que voltar não é só importante como é necessário.

É necessário porque nesse processo de transformação do ser que vivemos como expatriados não podemos esquecer quem somos ou de onde viemos e mais importante o motivo da escolha de viver fora.

Quem esquece quem é passa a ser conhecido como mais um, quem esquece de onde veio perde os valores que aprendeu com sua família e quem esquece o porquê de ter vindo vive uma vida nostálgica e muitas vezes depressiva pois nunca se abre para a mudança da vida nova.

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Eu não vejo a hora de pousar no galeão, de sentir o cheiro do mar, de beber água de coco, comer feijoada, churrasco, pão de queijo, pastel… Não vejo a hora de sentir o abraço daqueles que me conhecem de longa data e não vejo a hora de conhecer gente nova para que da próxima vez que eu for tenha mais gente me esperando voltar (ou ir, ainda é confuso).

https://www.youtube.com/watch?v=W8a0-yEY9gs

Thaís já foi atriz de teatro amador, bailarina torta, advogada e professora universitária. Mora no Qatar e desde que chegou a Doha, depois de 18 horas de viagem, se descobriu desbravadora. Como uma boa capricorniana não se acostumou bem à mudança, entretanto isso não foi obstáculo para que abrisse seu coração para viver uma nova aventura diferente de tudo que já viveu antes. Aos poucos Doha ganhou seu coração a ponto de sentir o desejo pulsante de dividir com o mundo o que este lugar tem a oferecer.

4 comments on “Dentro de mais um minuto estaremos no Galeão…”

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