Depois dos dias que passamos em Mascate (confira aqui) já estávamos esperando algo parecido de Salalah. Porém, incrivelmente, esta cidade é bem mais preparada para receber turistas do que a capital do país. Isso acontece porque a região atrai milhares de pessoas durante a estação do Khareef, ou época das monções, que se dá entre julho e setembro e faz surgir rios, cachoeiras e brotar florestas inteiras no meio do deserto.

Cheguei lá uma semana após o fim da estação e, embora as cachoeiras já estivessem secas, ainda pude ver a região cheia de verde, camelos pastando livremente, e sem contar que o clima estava maravilhoso para praia. Passamos cinco dias tranquilos aproveitando o hotel que, inclusive, recomendo, e passeando pelos pontos turísticos históricos e naturais.

Caminhar nessa praia depois de chegar exausta de um vôo atrasado e duas horas de espera para alugar um carro foi uma recompensa! ( Praia de Salalah que tinha acesso pelo hotel)
Caminhar nessa praia depois de chegar exausta de um vôo atrasado e duas horas de espera para alugar um carro foi uma recompensa! ( Praia de Salalah que tinha acesso pelo hotel)

Diferente do Qatar, Omã tem uma história muito antiga e muito rica; e, sendo eu, ratinha de museu não poderia deixar de desbravar esses mistérios. Salalah é rica de mitos e lendas que remontam aos tempos bíblicos. Lá pode ser encontrado, por exemplo, o túmulo de Jó ( aquele homem que sofreu demais no velho testamento e que deu origem a frase “paciência de Jó”), encontra-se, também, o palácio e a antiga cidade que acreditam ser da Rainha de Sabá ( aquela que foi trocar um papo com Salomão e reconheceu o Deus de Israel como único Deus) e para completar, é lá que cresce a sagrada Boswellia a árvora da qual é extraída a seiva que produz o mais puro incenso.

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Camelinhos sendo felizes na natureza s2

Incenso esse que foi dado de presente ao bebê Jesus lá na manjedoura por um dos reis magos quando este nasceu. Esse tipo de árvore só cresce na em Omã, então com certeza o incenso que Jesus ganhou veio de lá. Eu fiz questão de comprar um saco pra deixar minha casa sempre com esse cheirinho gostoso que foi presenteado a Jesus, mas também se tornou patrimônio da humanidade pela Unesco marcando Dohfar e Salalah no mapa cultural do mundo.

Confesso que eu não visitei o túmulo de Jó porque não sou muito de cemitério, mas fiz questão de visitar as ruínas da Rainha de Sabá e posso te dizer que é entrar numa máquina do tempo, tudo maravilhoso! Imaginar como as pessoas viviam ali, e por ser entre o rio e o mar a vista é de tirar o fôlego, aos que forem, é um passeio que recomendo.

Ruínas da cidade da Rainha de Sabá.
Ruínas da cidade da Rainha de Sabá.

Essa não é a única ruína de cidade famosa não! Visitamos a Al Balled que era uma cidade na rota comercial que serviu de parada e entrou para os escritos de Marco Polo que, a época, a descreveu como ” uma cidade próspera e um dos principais portos no oceano Indico e um crescente centro comercial”. Como essa cidade é bem grande o passeio foi feito num carrinho de golfe dirigido por um local que fazia parada nos principais pontos.

Ruínas da antiga cidade visitada por Marco Polo.
Ruínas da antiga cidade visitada por Marco Polo.

Ao lado desta ruína fica o principal museu do país o “The Museum of the Frankincense Land”, traduzindo O Museu da terra do Incenso, sim eles se orgulham bastante disso. O Museu é bem interessante, conta a história do povo em si, das navegações, do incenso e vai além, até o período pré histórico. Para quem curte museu é um achado.

Árvore da qual se retira a seiva para o incenso que fica no hall central do Museu da terra do Incenso.
Árvore da qual se retira a seiva para o incenso que fica no hall central do Museu da terra do Incenso.

Indo dos passeios culturais para os naturais, Dhofar (Salalah) vai de deserto a floresta, rio a montanha e praia, ou seja, tem para todo gosto! Descobrimos que Ayn quer dizer cachoeira e Wadi quer dizer Rio. As cachoeiras, como eu disse antes, já estavam todas secas. Olhávamos fotos na internet e pensávamos ” Não, não é o mesmo lugar”. Mas era. E, mesmo sem água, foi interessante de se ver, mas depois da segunda desistimos de caçar Ayn. Tivemos mais sorte com os rios, um estava seco, mas caminhamos pelas pedras, o que foi  legal, e o outro estava lá lindo!

Cachoeira seca. Ayn Athum um dos mais famosos.
Cachoeira seca. Ayn Athum um dos mais famosos.
Wadi Darbat. Isso verdinho ali atrás é um rio a se perder de vista!
Wadi Darbat. Isso verdinho ali atrás é um rio a se perder de vista!

Depois de morar no Qatar começamos a apreciar as pequenas coisas, tiramos foto de besouro rola bosta por exemplo! hehehe Caminhar pelo mato, sentir o cheiro de terra, de rio, é indescritível.

O hotel em que estávamos é numa região de praia, o mar tinha água gelada, muito gostoso de tomar banho. E além dessa praia fomos dirigindo até a outra ponta do estado chamada Mughsayl. Lá foi o único lugar em que esbarramos com turistas, isso porque é onde vive o “monstro marinho de Omã” que na verdade nada mais é que o barulho que a água do mar faz ao bater nas pedras, só que como tem um buraco esguicha água em todo mundo!

Praia de Mughsayl. Fugimos dos turistas para tirar a foto perfeita.
Praia de Mughsayl. Fugimos dos turistas para tirar a foto perfeita.

Para quem ficou curioso segue o vídeo explicativo:

A cidade de Salalah, a maior do estado de Dohfar, é bonita. Cercada de coqueiros, tem praia, souq de tecidos, de ouro, alguns hotéis e é isso. Comemos num restaurante tradicional Omani, sentados no chão, e, compramos um anel pra lembrarmos sempre com carinho dessa viagem.

Omã não é o primeiro destino que se pensa quando se fala em visitar o Oriente Médio mas com certeza é um lugar que merece ser desbravado. Eu adorei minha viagem e adorei mais ainda o fato de ir a um lugar e ver coisas que poucas pessoas se interessaram de ver. Os omanis são o povo mais gente boa da região, fazem questão de te receber bem e de fazer de tudo para agradar.

Fazendo contato com a natureza =)
Fazendo contato com a natureza =)

Se eu tiver oportunidade de voltar eu voltaria com certeza, mas dessa vez com um GPS por satélite e talvez um guia local para aproveitar ainda mais o passeio.

Eu dentro das ruínas da Rainha de Sabá s2
Eu dentro das ruínas da Rainha de Sabá s2

Thaís já foi atriz de teatro amador, bailarina torta, advogada e professora universitária. Mora no Qatar e desde que chegou a Doha, depois de 18 horas de viagem, se descobriu desbravadora. Como uma boa capricorniana não se acostumou bem à mudança, entretanto isso não foi obstáculo para que abrisse seu coração para viver uma nova aventura diferente de tudo que já viveu antes. Aos poucos Doha ganhou seu coração a ponto de sentir o desejo pulsante de dividir com o mundo o que este lugar tem a oferecer.

5 comments on “Desbravando Omã – Salalah o oásis do deserto”

    • Edu! Quando você veio aos Emirados achei que daria uma esticada até minha casa. Na próxima vez saiba que as portas estarão abertas. Grande abraço, saudade!

      • Obrigado! Quando fomos aos Emirados, acabou que faltou tempo para fazer tudo o que queríamos. Mas vamos nos programar melhor da próxima vez, pode deixar! Abraço!
        PS: Coloquei link no meu blog (http://cartas.edutrindade.com) para cá, coisa que só não tinha feito ainda porque eu estava há bastante tempo sem mexer nas configurações dele.

  1. Thaís boa tarde

    tenho um convite de trabalho, pergunto a vc, como faço com o visto, tiro quando chego ou faço pelo Brasil, tenho dúvidas nas taxas e envio de valores.
    Segundo a empresa eu tenho que enviar dinheiro para liberar meu visto.

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