A família no Brasil estava carente e eu e Thiago queríamos fazer uma viagem, junta a fome com a vontade de comer ( literalmente) decidimos ir todos viajar. E nenhum destino poderia ser melhor para uma viagem em família que a Itália!

Partimos então eu, Thiago, minha mãe, minha irmã e minha sogra todos juntos para 21 dias maravilhosos de friozinho na Europa. Muita gente diz que fevereiro não é a melhor época pra ir, mas nós adoramos. Eu prefiro colocar casaco e ficar mais confortável em lugares menos lotados do que ir no verão e ficar disputando cada centímetro com milhões de outros turistas derretendo no calor. E no mais, nós somos do Rio de Janeiro e atualmente moro no Oriente Médio passar frio é bom vez enquanto  pra variar (hehehe).

Encontramos a família, que vinha do Rio de janeiro, no aeroporto de Roma. Compramos vôos que chegavam mais ou menos no mesmo horário e marcamos num restaurante do aeroporto para não ter desencontro. Foi bem legal a sensação de ver aquelas três carinhas conhecidas sorrindo pra gente, sim teve corrida pra abraço, sim somos dramáticos e nada melhor pra nossa aventura italiana do que uma pitada de choro de emoção em lugares públicos.

A Máfia na primeira selfie italiana s2
A Máfia na primeira selfie italiana s2

Do aeroporto pegamos um trem que nos deixou na estação Roma Termini onde pegamos um trem para nosso primeiro destino a controversa cidade de Nápoles!

Nápoles é uma cidade portuária no sul da Itália, a terceira maior cidade do país e sua história é datada desde antes de Cristo e . Teve seu centro histórico declarado como patrimônio mundial e tem diversos pontos de interesse turístico tais como o Monte Vesúvio, Pompéia e Herculano. A cidade ganhou má fama devido a  “camorra”, máfia napolitana, que ficou conhecida no século XIX. Seu clima é mediterrâneo e em fevereiro, quando nós fomos, a temperatura estava entre 14ºc e 19ºc e, no último dia, muito vento.

O nosso grupo ficou dividido entre 3 pessoas que não curtiram Nápoles e 2 pessoas, eu inclusa, que amaram! As roupas penduradas nos varais para fora dos prédios, os funcionários mal encarados nos restaurantes ( fomos expulsos de um inclusive), as ruelas e os becos, as pichações, a confusão, achei tudo lindo e poético. Thiago não se sentiu a vontade, mas acho que foi porque saímos da super segura Doha para uma cidade normal.

Nos hospedamos num apartamento muito legal que encontramos pelo Airbnb próximo a estação Toledo do metrô. Sobre hospedagem queria abrir um parêntese deixar claro que Airbnb é vida! O Ap tinha dois quartos e uma sala com sofá cama, cozinha e dois banheiro. A Menina que nos recebeu fez uma cesta com laranjas, macarrão e molho de tomate.

Geralmente quem vai a Nápoles usa a cidade como ponto de partida para conhecer a costa amalfitana (Sorrento, Ilhas de Capri etc), mas como estávamos no inverno e os ventos são gelados próximo ao mar decidimos por ficar apenas três dias, conhecer Nápoles e os sítios arqueológicos de Pompéia e Herculano.

Eu confesso que não vimos quase nada do que eu tinha planejado. Parte das atrações estavam fechadas para reforma e como o nosso tempo foi curto outras atrações não bateram com o itinerário.

No primeiro dia, depois de nos acomodar, demos uma volta pelo Quarteirão Espanhol (Quartieri Spagnoli) que é o lugar mais autêntico e o que eu imaginava da Itália, roupas no varal, vizinhos falando com outros pelas janelas, motonetas subindo as ladeiras num intenso vai e vem, comércios e restaurantes, um lugar cheio de vida e que traz em seu cerne a alma napolitana.

Romance no quarteirão espanhol... muito amor!
Romance no quarteirão espanhol… muito amor!

Descemos então pela Via Toledo e lá entramos no nosso primeiro museu dessa viagem (acreditem, foram muitos!) e vimos o primeiro Caravaggio de nossas vidas, a luz na tela é impressionante e nunca me esquecerei do olhar marcado, só quem é rato de museu como eu vai entender a emoção que uma tela pode transmitir. No final desta rua  está a Praça do Plebiscito ( Piazza del Plebiscito) que tem vários edifícios históricos como o o Palácio Real, o Palazzo Sallerno, o Palazzo della Prefettura e a Basílica de San Francesco di Paola, que foi o único que entramos já que os outros estavam fechados.

Eu e mamãe na praça do Plebiscito
Eu e mamãe na praça do Plebiscito com a Basílica de San Francesco di Paola ao fundo.

Essa basílica é conhecida como o panteão de Nápoles, ela salta no coração da principal praça da cidade e é impossível não ver a semelhança com o panteão romano. Um dos altares é datado de 1641 e outro é feito de lápis lazúli; a  cúpula de 53 metros tem uma janela central que ilumina a igreja que além da estátua de vários santos tem algumas pinturas de Luca Giordano, artista napolitano do final do período barroco. Vale a pena conferir.

De lá continuamos a nossa caminhada até um mirante que tinha vista para o imponente Vesúvio, o maior vulcão ativo da Itália. Dali seguimos caminhando para a região do porto onde passamos em frente a dois castelos o Castelo Nuovo datado de 1279, que serviu de residência da realeza napolitana por um tempo e depois foi  transformado em fortaleza, hoje tem um museu lá dentro. Como chegamos no fim do dia faltavam apenas alguns minutos para o museu fechar decidimos, então, não olhar por dentro, só fomos até o pátio mesmo. E esse foi o fim do nosso primeiro dia.

Por do sol no Vesúvio
Baía de Nápoles com o pôr do sol dourando o Vesúvio

Dedicamos o nosso segundo dia a viagem até Pompéia e Herculano. Para chegar de Nápoles a Pompéia pegamos um trem na ferrovia local a Circunvesuviana, não precisa comprar os bilhetes antecipados. Não se assustem com os trens, são bem caidinhos e tivemos duas experiências bem loucas, a primeira uma velha racista que implicou com minha irmã e  depois o trem quebrou no meio do caminho mas nada que uma pessoa que já andou de Japeri ( trem de Nova Iguaçu ao Rio de Janeiro), nunca tenha visto.

Quando eu descobri que teria a chance de pisar em um lugar tão cheio de história quanto Pompéia a primeira coisa que fiz foi assistir um documentário a respeito no Netflix pra entender direito o que tinha acontecido lá.

Para quem não sabe, Pompéia e Herculano foram cidades grandes e repletas de comércio, vida e atividades culturais durante o império romano que foram destruídas por uma erupção do vulcão Vesúvio em 79 dC. A erupção provocou uma chuva de cinzas que enterrou completamente essas cidades que ficaram ocultas por 1600 anos!

o Vesúvio ainda sombra o que um dia foi uma cidade cheia de vida!
o Vesúvio ainda sombra o que um dia foi uma cidade cheia de vida!

As cinzas e a lama protegeram as construções, objetos e pasmem mantiveram até os corpos de algumas vítimas intactos como no dia em que morreram, é extraordinário! Para quem tiver interesse o nome do documentário que nos permitiu andar e entender mais ou menos essas duas cidades, que são enormes, foi o “Pompéia, o último dia”.

Se não tivéssemos visto esse documentário precisaríamos de um guia com certeza, não tem muitas sinalizações e dá para se perder fácil. O que mais me impressionou nesse passeio foi perceber a prioridade das pessoas. Algumas morreram e ficaram eternamente petrificadas com seus entes queridos, outras decidiram servir seus mestres até o fim e teve um homem que morreu agarrado a uma bolsinha de dinheiro. Existem pessoas que são tão pobres que só tem dinheiro…

Nesse dia andamos mais de 20 km no total, Fomo primeiro a Herculano, que é menor, e depois pegamos o trenzinho de novo e paramos em Pompéia, ficamos exaustos mas valeu a pena caminhar por cada centímetro de história e imaginar o fluir da cidade, aprender mais e ver o por do sol das ruínas… sem palavras pra descrever, com certeza um lugar que todos deveriam ir na vida.

Magnífico pór do sol nas ruínas de Pompéia.
Magnífico pór do sol nas ruínas de Pompéia.

No terceiro dia fomos ao Museu Arqueológico nacional onde estão os melhores afrescos e objetos retirados de Pompéia e Herculano, ou seja, foi uma complemento do dia anterior. O acervo desse museu é ótimo e vale a visita, principalmente se você visitou as ruínas. Depois, caminhamos pelo centro Histórico e passamos em frente a Catedral de San Genaro, padroeiro de Nápoles, onde eles guardam a relíquia do santo, que são ampolas de sangue coagulado que, dizem, se liquefazem de vez enquanto.

Eu, no museu nacional, como uma foto minha que acharam em Pompéia XD
Eu, no museu nacional, como uma foto minha que acharam em Pompéia XD

A tarde fomos ao bairro chamado Vomero bairro de encosta onde vivem as famílias mais abastadas da cidade. Dá pra chegar lá por um funicular mas nós fomos rebeldes e subimos andando 5 km ladeira a cima, passamos por dentro do bairro, vimos uma procissão, subimos uma escadaria do século XIV, tive crise de asma, chegamos a uma praça com um mirante legal e continuamos  até o Castelo St. Elmo que é uma fortaleza em forma de estrela que tem uma vista 360º de Nápoles. Lindo!

Nápoles vista do alto do Castelo Sant'Elmo
Nápoles vista do alto do Castelo Sant’Elmo

Antes de irmos para nossa próxima parada Italiana, na última manhã, tomamos café da manhã na Galeria Umberto que tem uma arquitetura incrível com símbolos do zodíaco desenhados no chão e 16 arcos de ferro simétricos que nos passam a sensação de grandiosidade planejada quando ela foi construída em 1891.

capricorniana das típicas!
capricorniana das típicas!

Fim da minha aventura na provincia de Napoles, saldo positivo, voltaria com certeza para ver o Teatro San Carlo que não vi por estar em reforma, Castelo Nuovo que por conta da correria não encontramos e fazer uma excursão ao topo do Vesúvio. Essa sou eu, nunca satisfeita até explorar o último cantinho!

Próxima parada Florença S2

Thaís já foi atriz de teatro amador, bailarina torta, advogada e professora universitária. Mora no Qatar e desde que chegou a Doha, depois de 18 horas de viagem, se descobriu desbravadora. Como uma boa capricorniana não se acostumou bem à mudança, entretanto isso não foi obstáculo para que abrisse seu coração para viver uma nova aventura diferente de tudo que já viveu antes. Aos poucos Doha ganhou seu coração a ponto de sentir o desejo pulsante de dividir com o mundo o que este lugar tem a oferecer.

4 comments on “Desbravando a Itália – Nápoles, Pompéia e Herculano”

  1. Olá Thais,
    Morri de rir, deve ser mal de familia mesmo. Estive com Deborah perambulando pela Itália e fizemos coisas iguais . Por exemplo andar do quarteirão Espanhol até o castelo nuevo, passando pela praça do Plebiscito. ..risos haja canela. Divirtam-se . Ahh em Firenze não deixe de ir a Galleria Uffizi.

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