Da caótica Nápoles para a romântica Florença. Pegamos um trem e após de 3 horas de viagem, chegamos a  maior cidade da região da Toscana, na Itália, para 4 maravilhosos dias.

Como eu disse no post anterior, escolhemos viajar no mês de fevereiro, e em Florença estava fazendo bem mais frio do que em Nápoles. Pegamos temperaturas entre 1º e 12 º graus e choveu em um dos dias. Nada que algumas roupas térmicas, toucas, luvas, botas e guarda chuvas não resolvessem. Aproveitamos bastante!

Mais uma vez optamos pela hospedagem do Airbnb, não podíamos ter feito melhor escolha. Não sabíamos antes, mas nosso apartamento ficava no coração do centro histórico, na quadra do Duomo de Florença e a uma rua do Mercado Centrale. Fizemos todos os passeios a pé, não pegamos nem um onibusinho, nada!

Chegamos a noite caminhamos até a praça em frente ao Mercado Centrale e escolhemos um restaurante com pianista que tocou Tom Jobim em nossa homenagem (Viva o Brasil!) e fomos nos preparar para os próximos dias da aventura em família.

Começamos nosso dia visitando a Catedral Santa Maria del Fiori, mas conhecida como o Duomo de Florença, como chegamos cedo, um pouco antes das 9 da manhã, tivemos sorte e não pegamos fila para ver o seu interior. Aliás fomos o primeiro grupo a entrar e conseguimos fotos sem a multidão de turistas que lotam diariamente a igreja.

Faxada do belíssimo Duomo de Florença
Faxada do belíssimo Duomo de Florença

O Duomo, que demorou quase seis séculos para ser construído, é todo feito de mármore de três diferentes cores, preto (que eu vi verde), branco e rosa. Ele, que é a quinta maior igreja da Europa, se destaca na cidade que é toda feita de pequenas construções. É magnifico, me faltam palavras para descrever o quão bonito é. A visita a igreja é gratuita, bem como a famosa cúpula de Brunelleschi, agora para visitar o batistério e ver os mosaicos tem que pagar ingresso e entrar numa fila a parte, nós optamos por não ir.

Caminhamos mais um pouco, paramos na Piazza San Lorenzo, entramos em outras igrejas (na Itália o que mais tem é igreja) e chegamos até o antigo centro da cidade, na Piazza de la Signoria, que é bem bacana tem algumas lojas, restaurantes, carrossel, coreto com esculturas e o Palazzo Vecchio, edifício que começou a ser construído em 1299, hoje é a sede da prefeitura de Florença e também abriga um museu que tem obras de Agnolo Bronzino, Michelangelo Buonarroti e Giorgio Vasari, vale a pena entrar.

Minha sogra posando em frente ao Palazzo Vecchio.
Minha sogra posando em frente ao Palazzo Vecchio.

Continuamos nossa jornada e por coincidência entramos num museu chamado Museu Nacional do Bargello, ele não estava no nosso roteiro inicial, mas vimos um prédio antigo interessante e resolvemos entrar. Descobrimos depois que esse museu é o prédio mais antigo de Florença, já foi sede de várias dinastias, prisão, e em 1859 se tornou o museu responsável por abrigar peças que contam a história da cidade. Lá tem obras que pertenceram aos Médici, aos Uffizzi e ainda obras de Donatelo. Ratinhos de museu se deliciem!

Para nosso último museu do dia escolhemos o Museu de Bellas Artes. Antes de chegarmos lá passamos em frente a casa de Dante Alighieri, primeiro e maior poeta italiano escritor da “Divina Comédia”, não entramos no museu porque a fila estava gigante mas tivemos tempo de ver um grupo de japoneses tirando fotos de uma poça d’água que uma mendiga doida estava apontando e fazendo profecias (ou não, não tenho certeza).

Voltando a  Galleria dell’Accademi (Museu de Bellas artes), este é um importante museu dedicado a preservar obras do período gótico até o final do século XIX e é onde mora o ilustre Davi de Michelangelo, que eu não imaginava ser tão grande. Esta obra é a obra mais importante do movimento renascentista e foi escolhida como símbolo máximo de Florença. Eu fiquei admirada em saber que Michelangelo tinha apenas 26 anos quando recebeu a incumbência de esculpir de um bloco único gigante de mármore (5 metros ou quase) o herói bíblico. Não existe visita a Florença ser checar a anatomia perfeita de Davi.

O pênis é pequeno em relação as mãos e a cabeça quando medidos, foram feitos dessa forma propositalmente para quem olha de baixo parecer proporcional.
O pênis é pequeno em relação as mãos e a cabeça quando medidos, foram feitos dessa forma propositalmente para quem olha de baixo parecer proporcional.

Terminamos nosso primeiro dia caminhando pela feirinha de couro, Thiago comprou uma jaqueta e eu um par de luvas, os preços são realmente bons e vale pechinchar. Jantamos no Mercado Centrale que é um lugar cheio de vida! De dia funciona um mercado normal embaixo, tipo uma feira, com peixes, temperos, frutas e legumes a venda, e em cima uma praça de alimentação com vários restaurantes e música ao vivo, onde o intuito é você compartilhar a mesa e conhecer pessoas, a experiência foi boa.

No segundo dia, mais bateção de perna, decidimos atravessar para o outro lado da cidade. Escolhemos um caminho que passava por uma ponte que dava vista para a Ponte Vecchio, essa ponte é famosa por ser a única ponte medieval que não foi destruída na segunda guerra. Seu projeto original é do período romano, ela foi demolida em 1333 e reconstruída em 1345. É legal de ver os seus arcos sob o rio Arno.

Ponte Vecchio ao fundo... dia frio s2
Ponte Vecchio ao fundo… dia frio s2

Fomos até o Palazzo Pitti que foi construído em 1457 pela família Pitti e teve como arquiteto Brunelleschi, o mesmo da cúpula do Duomo, como essa família ficou sem dinheiro para bancar a suntuosa construção, que foi planejada para ser a maior residência da cidade, a obra foi interrompida. Em 1549 o palácio foi comprado e passou a ser a residência dos polêmicos Médici que saíram da luxuosa corte de Nápoles para serem, praticamente, os donos de Florença. Gente, tudo lá foi deles… sem sacanagem!

Esse palácio foi residência de mais duas dinastias os Asburgo Lorena, que sucederam os Médici e os Savoy, reis da Itália unida. Hoje o prédio, símbolo do renascentismo florentino, abriga 8 museus, incluso o jardim. Conversando com uma amiga arquiteta que morou e estudou em Florença ela me disse que o que mais valia a pena de ver eram os jardins, porém como fomos no inverno os jardins estavam fechados então decidimos por não entrar, o ingresso para cada museu custava em torno de 8 euros, o que deixava a visita cara.

Eu e minha irmã tentando uma foto de salto bacana... num deu rs
Eu e minha irmã tentando uma foto de salto bacana… num deu rs

Depois de duzentas tentativas de foto de salto em frente ao Palazzo Pitti, continuamos a nossa jornada por este pedaço da cidade que é uma lindeza a parte. Eles ainda tem trechos do antigo muro que cercava Florença, e conforme vamos subindo a ladeira e depois escadarias, podemos ver melhor o quão grande era essa muralha.

Subindo, passamos por outro jardim também fechado, o Jardim das rosas, e depois de várias paradas para fotos (mentiria .. paramos pra descansar) chegamos na melhor vista panorâmica de Florença: Piazzale Michelangelo. É papo de vista de cartão postal, de lá dá pra ver a muralha e a magnitude do Duomo, o rio Arno cortando Florença, ou seja, toda a beleza de uma cidade que está ali há muito tempo. É um “must go” com certeza!

Amo demais essa foto!
Amo demais essa foto!

Algumas pessoas param por ai, mas nós estávamos animados (ou curiosos) pra ver mais e continuamos subindo a rua até, a que dizem, mais romântica igreja da Toscana, a Basílica de San Miniato al Monte. Eu descobri depois ter sido construída em homenagem ao primeiro mártir cristão de Florença que, segundo a lenda, foi decapitado pelo império romano na época da perseguição anticristã e que após ser decapitado pegou sua própria cabeça e cruzou o rio Arno para viver na solidão dos montes. Bizarro ou iluminati? (hehehehe)

A felicidade daqueles que estão tirando foto em frente a um cemitério hehehe... pelo menos tinha uma boa vista!
A felicidade daqueles que estão tirando foto em frente a um cemitério hehehe… pelo menos tinha uma boa vista!

Lá tem um mosteiro com umas lojinhas e um cemitério atrás, eu não sou de visitar cemitério, mas ás vezes acontece de, sem querer, entrar ou esbarrar em um, como foi o caso. Terminamos nossa jornada no Mercado Centrale, delícia.

Para quem pretende fazer de Florença porto para visitar outras cidades da região da Toscana, existem alguns meios de fazê-lo: o primeiro alugando um carro e dirigindo até as cidades escolhidas, segundo usando o transporte público e, terceiro, escolhido por nós, pegando tour nas agências de turismo.

Pensamos primeiro em alugar um carro, mas depois de colocar na ponta do lápis o custo com gasolina, estacionamento, aluguel do carro e dor de cabeça se perdendo, mudamos de idéia. O transporte público também não comportava nossa necessidade já que os trens deixam bem longe dos pontos turísticos e os ônibus não tem horário certo pra passar, tenho medo de ficar a deriva. Um dia esperamos um ônibus pra visitar uma provincia de Florença por mais de 1 hr e nada do danado e além do que os pontos de ônibus mudam de lugar de acordo com a necessidade da prefeitura, ou seja, turista fica perdidinho.

O tour foi a melhor opção, o preço saiu mais barato que o aluguel do carro e com bem menos stress. Escolhemos o roteiro que incluía San Gimignano, Siena e Monteriggione, o almoço estava incluso.

A charmosa San Gimignano delle belle Torri é uma cidade murada, medieval, com cerca de 7 mil habitantes que vivem basicamente do turismo. Ela fazia parte importante da peregrinação cristã até Roma pela Via Fracigena. Os ricos da cidade, para demonstrar poder, construíam suas casas em forma de torres que já foram 72, hoje restam apenas 14, mesmo assim ainda é a cidade com mais torres preservadas na região.

Capa do Cd "As mulheres que quase enlouqueceram Thiago."
Capa do Cd “As mulheres que quase enlouqueceram Thiago.”

O tour deixou a gente explorar a cidade, que é bem pequena, por mais ou menos 2 horas, foi suficiente. A cidade é bem animada, tem feira na pracinha, museu na prefeitura e lojinhas. Genteeeee! Tomamos o melhor sorvete da viagem e vi, pela primeira vez, um jardim de oliveiras. É uma viagem ao passado, lindo!

Passeio romântico pelo campo de oliveiras!
Passeio romântico pelo campo de oliveiras!

De lá fomos almoçar num restaurante  familiar que também era uma vinícola. Eles nos deram macarrão e vinho a vontade, só não bebi mais porque estava na frente da minha mãe (hahahah), comidinha com gosto de casa. O restaurante tinha vista pra cidade que a gente tinha acabado de sair, superou minhas expectativas, por estar incluso no tour, foi bom.

A vista do restaurante: as torres de San Geminignano
A vista do restaurante: as torres de San Geminignano

Nossa próxima parada foi em Siena, lá nós tivemos um tour guiado que foi bem esclarecedor. A guia, que falava espanhol, caminhou conosco pela cidade explicando cada detalhe, desde os azulejos nas paredes, as esculturas, contando a história da região – que é muita – e por isso que, apesar de não curtir muito tour guiado, eu gostei desse. Perderíamos várias informações se fossemos sozinhos.

Andando por Siena é possível ver várias imagens e esculturas da famosa loba amamentando os gêmeos Romulo e Remo, bem como em Roma, isso porque a mitologia romana diz que a cidade foi fundada por Sénio filho de Remo. Durante muito tempo Siena e Florença eram rivais e a briga se acirrou quando em 1260 Siena com apoio do Rei da Sicília, derrotou os florentinos em uma batalha. Antes da batalha eles consagraram toda a cidade a Virgem Maria e continuam devotos até os dias de hoje.

Mamãe posando na Piazza del Campo
Mamãe posando na Piazza del Campo

Uma das provas a devoção á Virgem é o famoso Palio di Siena que é uma corrida de cavalos que acontece anualmente entre julho e agosto na Piazza del Campo, onde cada um dos cavaleiros representa com sua bandeira um dos 17 bairros da comuna, dizem que é uma loucura!

A catedral de Siena foi construída no intuito de ser maior do que o duomo da vizinha Florença, porém a construção foi interrompida quando em 1348 a cidade foi devastada pela peste negra. Embora não seja maior, eu percebi que esta igreja, que também é feita com os mármores preto, rosa e branco da região, é bem mais rica em detalhes do que a de Florença.

Reparem na riqueza dos detalhes.
Reparem na riqueza dos detalhes.

Outra coisa doida em Siena é que a cabeça de Santa Catarina e seu polegar são mantidos como relíquias na basílica de San Domingos, o corpo dela está em Roma. Não entendi porque separaram a moça, algumas pessoas entraram pra ver, eu fiquei de boa do lado de fora mesmo…

Chegamos então a nossa última cidade da Toscana, Monteriggine. A cidadela medieval, toda murada, que tem apenas 48 habitantes é composta, literalmente, de uma igreja, uma praça e três ruas, é uma fofura, tive medo de ser assombrada. Uma curiosidade é que essa cidadezinha foi representada na franquia de jogos  Assassin’s Creed  como a cidade principal dos assassinos (inimigos mortais dos templários), os geek piram!

Imaginem a quantidade de fofoca que num deve ter numa cidade com 48 habitantes! rs
Imaginem a quantidade de fofoca que num deve ter numa cidade com 48 habitantes! rs

Todos os anos acontece nessa cidade o festival medieval, as pessoas vestem roupas típicas, são servidas comidas da época, tem música e dança e gastar dinheiro lá só se for em denaro! Fiquei doida pra ir!

Choveu no nosso último dia em Florença. Sem problema! Passamos horas dentro da Galeria Ufizzi que é um dos mais antigos museus do mundo! Lá tem obras de Caravaggio, Leonardo da Vinci, Rafael, Michelangelo entre outros artistas italianos. Pra vocês terem noção o famoso “Nascimento de Vênus” está lá.

Thainá tentando imitar a expressão da Vênus em seu nascimento... só que não... rs
Thainá tentando imitar a expressão da Vênus em seu nascimento… só que não… rs

Eu cismei que queria esfregar o focinho do javali que fica no Mercado Nuovo, diz a lenda que quem esfrega o focinho volta á Florença – eu quero ver a Toscana na primavera minha gente! Depois que saímos da galeria Ufizzi, atravessamos a Ponte Vecchio (antes só tínhamos visto de fora) e fomos nesse mercado, que tirando o javali, não tem nada de mais. Por coincidência achamos a lojinha do Gepeto, pai do Pinóquio, e mamãe fez amizade. Fomos também a Santa Croce, principal basílica franciscana de Florença, dizem que foi fundada pelo próprio São Francisco de Assis, e lá  é túmulo de Michelangelo, Galileu Galilei, Maquiavel e Rossini. Decidimos não entrar, muita fila.

Mamãe e Pinocchio, o verdadeiro... ou o verdadeiro virou menino?
Mamãe e Pinocchio, o verdadeiro… ou o verdadeiro virou menino?

As margens do Arno tem umas coisas bem interessantes pra ver nessa região, umas galerias antigas, uns pátios, mas como estava chovendo nem aproveitamos muito isso. Amamos Florença, posso dizer que é um dos lugares mais fascinantes que fui na vida, vale a visita!

As margens do Arno curtindo a chuvinha. No deserto não chove povo!
As margens do Arno curtindo a chuvinha. No deserto não chove povo!

Depois de toda essa andança em Nápoles e na Toscana partimos para o dolce far niente em Roma… aguardem o próximo post!

 

 

 

 

Thaís já foi atriz de teatro amador, bailarina torta, advogada e professora universitária. Mora no Qatar e desde que chegou a Doha, depois de 18 horas de viagem, se descobriu desbravadora. Como uma boa capricorniana não se acostumou bem à mudança, entretanto isso não foi obstáculo para que abrisse seu coração para viver uma nova aventura diferente de tudo que já viveu antes. Aos poucos Doha ganhou seu coração a ponto de sentir o desejo pulsante de dividir com o mundo o que este lugar tem a oferecer.

1 comment on “Desbravando a Itália – Florença, Siena, San Gimignano e Monteriggioni”

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