Como é vir para o Qatar sendo solteira? Essa é a pergunta de muitas meninas que entram em contato comigo depois de receber uma oferta de trabalho no país. A maioria dos relatos de expatriadas vivendo aqui são de esposas que vieram acompanhar seus maridos, que largaram mão da sua profissão no Brasil ( ou nos seus respectivos países de origem) para que o seu companheiro aproveitasse uma oportunidade única de emprego.

Embora essa represente a realidade da maior parte de mulheres que vivem no Qatar não é a verdade de todas. Em alguns casos quem recebe a oferta imperdível são elas, já conheci pilotas, aeromoças, dentistas, médicas, musicistas, artistas, arquitetas, chefs, staff de hotel entre outras profissões. Algumas são casadas e os maridos vêm acompanhando e outras são solteiras e encararam o desafio de vir para um país muçulmano desacompanhadas.

Vocês devem estar se perguntando o porquê dessa questão toda em torno do status marital de alguém. Eu explico! Eu por exemplo, só posso estudar, trabalhar ou viajar se o meu marido permitir através de carta assinada por ele. No aeroporto se eu não estiver com meu marido a primeira pergunta que o oficial da imigração faz é : Cadê o seu marido?!. Se eu ligo para reclamar de uma má prestação de serviço eles pedem para falar com o meu responsável, perguntam se meu marido sabe que eu estou reclamando, uma doideira!

Ai surge sempre aquela dúvida: Mulher sem marido, pode ir para o Qatar? Claro que pode, e deve!  Essa cultura da valorização da figura do marido só tende a diminuir cada vez que uma mulher aceita vir trabalhar aqui.

Numa feijoada promovida pela Erika Bechara (@guiadoha) eu conheci a Mariane que é Head Chef do restaurante  Antica Pesa localizado em um dos hotéis mais luxuosos do país o Marsa Malaz Kempinski. Convidei ela para uma entrevista para contar um pouquinho da sua experiência no país e quebrar de vez esse tabu de que mulheres solteiras não podem vir para o Qatar.

1- Como tem sido a sua trajetória profissional? 

Muito gratificante, em nenhum lugar do mundo eu tive tanta oportunidade de crescimento como aqui no Qatar.
 2- Como surgiu a ideia de trabalhar no Qatar?Nunca surgiu na verdade, eu estava aplicando para vagas de trabalho em Dubai por uma agência quando surgiu a oportunidade aqui eu fiz a entrevista e aceitei.
3- Como é a sua rotina? A que horas começa a trabalhar e qual é a sua carga horária?
Meu horário de trabalho é muito variável depende de temporadas e quão lotado está o restaurante. Mas normalmente eu faço no mínimo 9 horas de trabalho por dia.
4- Quais as diferenças da sua profissão, se houverem, entre o Brasil e o Qatar?
Dentro de uma cozinha as coisas não são tão diferentes, mas comparando com o Brasil é muito mais organizado e as pessoas são mais profissionais.
5- Que cursos você recomendaria para as brasileiras que queiram ingressar na mesma profissão e seguirem carreira, no Qatar? 
Eu não sei de cursos no Qatar. Mas eu cursei Gastronomia no Senac São Paulo.
6- Qual a média de salários, para uma pessoa iniciante e já no topo da carreira?
A média de salário para uma pessoa que está iniciando é 3000 QAR e pra quem está no topo da carreira o mínimo  de 12000 QAR existe alguns benefícios também para ambos, como acomodação, transporte, alimentação, planos de saúde…
Em frente ao categórico cavalo gigante do hotel onde trabalha

7- Como é trabalhar na sua área  em outra língua?É muito gostoso, eu já me acostumei e às vezes esqueço como falar tal coisa em português.

8- Por ser mulher você sente alguma espécie de discriminação?

Com toda certeza! Várias vezes, mas vai da pessoa deixar isso passar por cima da seu orgulho ou não, o jeito é bater o pé e ensinar pessoas babacas a nos respeitar.

9- Qual seria o aspecto mais positivo e o negativo (se houver) de ser profissional na sua área, no Qatar?
O mais positivo em um modo geral é os benefícios como salário e acomodação. Não vejo nada negativo na minha profissão aqui as coisas negativas são sempre estar longe da família ou de coisas que somos acostumados na nossa cultura.
10- Você acha que teria as mesmas chances na carreira se estivesse no Brasil, ou o fato de estar no Qatar lhe proporciona mais opções profissionais?
As mesmas chances profissionalmente sim, mas nunca seria igual, eu poderia ter chegado, como já cheguei, ao mesmo cargo que tenho hoje lá no Brasil mas os benefícios seriam diferentes.
11-Qual foi o maior desafio de se morar e trabalhar no Oriente Médio sendo solteira?
Acho que nunca tive nenhum grande desafio não as coisas foram até que fáceis. Tudo vai depender da atitude de cada pessoa.
12- Deixe um conselho para outras mulheres que desejam trabalhar no Qatar.
Se você está pronta pra abrir sua mente completamente e respeitar outras culturas e não vai se incomodar de ver muita construção e areia, você não vai encontrar nenhum empecilho para viver no Qatar. Assim como na minha área e em várias outras muitas oportunidades estão a todo tempo, então aproveita!
Vida a gente só tem uma aproveite as oportunidades que surgirem…Então siga o conselho da Mariane e se joga!

 

Thaís já foi atriz de teatro amador, bailarina torta, advogada e professora universitária. Mora no Qatar e desde que chegou a Doha, depois de 18 horas de viagem, se descobriu desbravadora. Como uma boa capricorniana não se acostumou bem à mudança, entretanto isso não foi obstáculo para que abrisse seu coração para viver uma nova aventura diferente de tudo que já viveu antes. Aos poucos Doha ganhou seu coração a ponto de sentir o desejo pulsante de dividir com o mundo o que este lugar tem a oferecer.

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