Meus dois primeiros meses aqui foram bem difíceis, embora eu morasse no hotel e aproveitasse a jacuzzi e as facilidades de viver em West Bay, eu me sentia muito sozinha. Thiago trabalhando o dia inteiro e até tarde (como todo publicitário em qualquer lugar do mundo) eu sem saber conversar em inglês, tudo contribuía para um quadro de reclusão.

Só que mesmo com a barreira da língua e o desafio de sair sozinha e conhecer gente, eu fiz isso. Com a cara e a coragem puxava papo com as camareiras, com outros hóspedes, com pessoas na academia, nos restaurantes. Quem me conhece sabe que tenho um problema sério: não consigo ficar quieta! É uma necessidade visceral, o ar que eu respiro é trocar informações.

Ainda bem que eu não sou a única que gosta de conversar, e nesse ritmo eu passei a conhecer pessoas interessantes que me ajudaram a me adaptar a vida por aqui.

Como primeira pessoa a apresentar, escolhi uma brasileira de 25 anos que vive em Doha há 6!

Camila Jatahy é produtora júnior e trabalha na Al Rayyan Producctions, que é uma empresa governamental e fez parte da primeira turma de jornalismo formada pela Northwestern University in Qatar.

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Nos conhecemos  de uma maneira muito engraçada, estava conversando em português com uma outra amiga também brasileira, Camila ouviu nossa conversa e me procurou no facebook. Rede social tá ai pra isso!

Segue a entrevista do DesbravaDoha

1- Porque você veio para o Qatar?

Meu pai se mudou para o Qatar primeiro depois que a Varig faliu. Ele então ouviu dizer de uma faculdade de jornalismo que ia abrir no Qatar e foi por isso que eu vim, para fazer essa faculdade, que depois de alguma pesquisa descobri ser uma das melhores do mundo.

2- Há quanto tempo você mora aqui?

Bom, eu já moro aqui há seis anos. Depois que me formei na faculdade, em 2012, eu tentei encontrar emprego no Brasil, mas, como todos sabemos a situação lá não está as mil maravilhas. Então voltei para o Qatar no inicio de 2013 e estou trabalhando aqui.

3- Qual é seu lugar preferido em Doha?

Tem muitos lugares em Doha que eu gosto. Gosto de ir no Souq, no Trader’s Vic, no parque. Mas acho que o lugar que eu mais gosto é debaixo d’água. É um lugar onde não há preconceitos. O grupo com que mergulho são só homens. Normalmente mergulhamos 15 pessoas e só eu de mulher e eu não me sinto mal de colocar um maiô, um skinsuit que é colado no corpo. Gosto do silencio do fundo do mar e ao mesmo tempo da companhia calorosa que eu sempre tenho.

Camila

4- O que o Qatar te ensinou?

Nossa! muita coisa. Muita coisa mesmo. O Qatar é um mundo completamente diferente do que eu vivenciei antes. O Qatar me ensinou a respeitar culturas diferentes. Ensinou-me sobre religiões e partes do mundo que eu não conhecia. O Qatar me ensinou que podemos ter a cultura diferente e a religião diferente, mas somos iguais. Ainda existe muita gente ruim e arrogante por ai, mas quem tem a cabeça aberta para novas experiências não se deixa limitar por detalhes como de onde você é ou para que Deus você reza.

5- Como o Qatar mudou sua vida?

Eu acho que hoje eu tenho um conhecimento muito maior sobre como o mundo funciona. Eu sempre viajei muito, fui a muitos lugares diferentes, mas nunca fiquei por tempo o suficiente para aprender como as pessoas daquelas culturas são. Hoje eu entendo as pessoas, entendo as culturas e criei um senso de respeito maior pelo que é diferente.

6- Qual a parte mais difícil de viver em um país do oriente médio?

Eu diria que não tem parte fácil. Viver em qualquer lugar que não é completamente conhecido é difícil. Você nunca sabe se algum gesto que é comum para você vai ser ofensivo. Por exemplo, no Brasil nós normalmente não assuamos o nariz em público, achamos porco e falta de educação. Aqui, todos fazem isso, abrem a porta do carro para cuspir no chão.  Você não pode usar nada curto ou decotado porque é muito ofensivo.

7- Tendo em vista que a maioria das pessoas vem para o país apenas de passagem, você se vê no Qatar daqui a 10 anos?

Não. Na realidade não sei se me vejo aqui daqui a 2 anos. Eu gosto muito daqui, é um país extremamente seguro, bons salários, custo de vida barato (se você não for contar o aluguel). Porém a vida social é muito limitada. Para eu que tenho 25 anos e sou solteira, ficar aqui é um desafio. Talvez eu volte, quem sabe, depois que fizer meu mestrado, casar e tiver filhos, quando estiver em outro momento da minha vida. No momento eu sou jovem e quero curtir a minha juventude enquanto não preciso me preocupar muito com uma vida estável.

Espero que todo mundo tenha gostado de conhecer a Camila assim como eu. Desbravar é também conhecer a história de vida das pessoas que nos cercam!

Thaís já foi atriz de teatro amador, bailarina torta, advogada e professora universitária. Mora no Qatar e desde que chegou a Doha, depois de 18 horas de viagem, se descobriu desbravadora. Como uma boa capricorniana não se acostumou bem à mudança, entretanto isso não foi obstáculo para que abrisse seu coração para viver uma nova aventura diferente de tudo que já viveu antes. Aos poucos Doha ganhou seu coração a ponto de sentir o desejo pulsante de dividir com o mundo o que este lugar tem a oferecer.

3 comments on “Das pessoas que conheci aqui – Camila”

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