Praticada desde 4000 a.C pelos nobres e verdadeiro símbolo de status, a falcoaria ou cetraria é a é a arte de caçar presas selvagens no seu meio natural utilizando de falcões e outras aves de rapina.

Considerado patrimônio Mundial da UNESCO desde 2010 existem evidências que esse esporte já era praticado no Oriente Médio no século I a.c. A mais antiga representação da falcoaria é um baixo-relevo encontrado em finais do século XIX em Korshabad, no atual Irão, datado de 1350 a.C..

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Aqui no Qatar a falcoaria é levada a sério. Até porque pela tradição das tribos beduínas essa arte não era para recreação e sim uma questão de sobrevivência. Morando no deserto, com uma dieta restrita, eles precisavam de ajuda na hora de caçar.

Hoje, com os supermercados, ninguém caça por necessidade, mas a tradição continua; o falcão ainda é uma maneira de ostentação no mundo árabe, para um qatari, assim como o ouro, é um “adereço” quase obrigatório.

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Dentro do Souq Waquif existe um mercado de falcões que, dependendo da raça e do nível de treinamento, podem custar até 275 mil dólares. Sei de história de aviões enormes que voaram vazios apenas para trazer falcões para o país, é muito luxo!

Eu já dei umas voltinhas pelo mercado de falcões e, confesso, fiquei com medinho de um bicho daqueles voar e comer meus olhos. Claro que a chance de isso acontecer é mínima, esses animais são altamente treinados e tratados a pão de ló.

Para provar que não estou mentido, no mesmo local onde se pode encontrar falcões para a venda encontra-se também um hospital exclusivo e especializado para o trato dos bichinhos.

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Um falcão não é um simples animal de estimação e nem é para qualquer um. As aves exigem cuidados especiais com a dieta, que é carnívora, voos diários e muito treinamento, isso sem falar do preço que é, digamos, salgadinho.

A falcoaria, porém, não é um luxo exclusivo dos sheiks árabes. No Brasil existem três lugares onde a venda de falcões é autorizada pelo IBAMA, dois em Minas Gerais e um no Rio de Janeiro.

Tudo é muito impressionante, um mundo novo e fora do que estamos habituados a ver, então, mesmo que você não pense em ter um falcão a visita ao Falcon Souq não vai ser perda de tempo.

Aproveite e tire uma foto, se sinta um sheike por 5 minutos!

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Thaís já foi atriz de teatro amador, bailarina torta, advogada e professora universitária. Mora no Qatar e desde que chegou a Doha, depois de 18 horas de viagem, se descobriu desbravadora. Como uma boa capricorniana não se acostumou bem à mudança, entretanto isso não foi obstáculo para que abrisse seu coração para viver uma nova aventura diferente de tudo que já viveu antes. Aos poucos Doha ganhou seu coração a ponto de sentir o desejo pulsante de dividir com o mundo o que este lugar tem a oferecer.

4 comments on “Falcoaria – O esporte dos Sheiks”

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